
O Centro de Alto Rendimento para o râguebi, prometido pelo Governo em 2007, está “esquecido” e a preparação para a fase de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2011 está a ser realizada com “condições piores” do que aconteceu quando Portugal conseguiu o apuramento para o Mundial de 2007. “Se for lá um delegado de saúde, fecha aquilo”, diz o director-geral da Federação Portuguesa de Râguebi (FPR).
A visita dos três dirigentes da IRB a Portugal teve como finalidade aferir as actuais condições da selecção nacional de râguebi para a prática de alta competição e avaliar o nível de execução da comparticipação (cerca de 390 mil euros) do organismo máximo da modalidade a nível mundial para a construção de um Centro de Alto Rendimento. Em declarações ao PÚBLICO, Manuel Paisana, director-geral da FPR, começou por referir que a IRB “percebeu o esforço da federação para atingir os níveis competitivos, com reflexos nos resultados” que colocam Portugal “bem posicionado” para alcançar a qualificação para o Mundial de 2011.

Depois de ter dispensado verbas para melhorar as actuais condições e ter agora assistido ao estado de abandono em que se encontra o único local de que Portugal dispõe para fazer a sua preparação, a “IRB pretende confrontar o Governo com a falta de utilização do dinheiro” e já ameaçou “retirar os restantes apoios prometidos”.
A comparticipação da IRB, num valor total de 390 mil euros, tinha como finalidade a construção de um Centro de Alto Rendimento no Estádio Nacional. A obra, com um orçamento previsto de cerca 1,5 milhões de euros, foi anunciada pelo secretário de Estado do Desporto após a participação de Portugal no Mundial de 2007. Após alguns atrasos devido à “cativação de verbas”, o projecto da obra, subsidiado pelo Governo, foi entregue ao Instituto do Desporto de Portugal “há oito meses”. “O concurso público devia ter sido aberto em Junho e não há razões que justifiquem o atraso”, refere Manuel Paisana, que acrescenta: “A prioridade foi dada ao atletismo e ao golfe”.
Após a participação de Portugal no Mundial de 2007, foram vários os apoios prometidos para o desenvolvimento da modalidade e vários os eventos públicos que contaram com figuras do Estado, tendo sido anunciadas medidas para melhorar as condições da selecção nacional. No entanto, dois anos após a participação na competição, Manuel Paisana denuncia que “as actuais condições são piores do que eram em 2007”, já que não houve investimento e “tudo se degrada”.